
Minha irmã veio dormir aqui no fim de semana. E foi ótimo ficar com ela, pintar o cabelo, tomar banho juntas de novo, depois de tanto tempo. Anos, acho. Inventar juntas a desculpa mais esfarrapada para ela dizer não para um cara. Ouvir: o bom de ficar na sua casa é que a gente pode andar pelada, né? Você fechou a janela?
Foi bom lembrar que existe uma pessoa com quem eu tenho a maior intimidade do mundo, de um tipo que vai ser sempre só com ela. Bom sentir que a gente não precisa de afinidades intelectuais, partidárias, etc., para ter o que falar. A gente nem precisa falar, na verdade. Posso dormir enquanto ela fica na internet, não, ela não quer que eu faça sala. Posso falar aquelas coisas mais bobas, que ela ri. A gente pode contar dos amores, e no meio reclamar dos nossos pais que não mudam nunca, e dali a pouco discordar de alguma coisa – nossas lembranças, apesar de se tratar do mesmo fato, sempre são diferentes – e falar que esse lugar é muito longe, c*ralho, vamos pegar um táxi.
E quem mais entende a importância do sorriso largo que a Maria Eduarda abre quando a gente faz aquelas caretas todas? E ficar fazendo planos para ela, imaginando como ela vai crescer, se vai gostar de escrever, como a Kellen, ou de dançar, como a Karina? Será socióloga ou professora de natação a nossa sobrinha? Tomara que nem uma coisa nem outra!hahaha
Minha irmã é uma das pessoas mais engraçadas que eu conheço. Ou talvez ela nem seja tão engraçada: eu é que conheço todas as inspirações de suas piadas. Talvez porque a gente ainda fale aquelas mesmas coisas que falávamos no quarto, com a luz apagada, lutando contra o sono. E, como sempre, ela dormiu e me deixou falando sozinha.